Paola Machado PAOLA MACHADO, Educadora física formada pela Unifesp, mestre em Ciências da Saúde pela Unifesp com pesquisas vinculadas a fisiologia do exercício. Editora-chefe do site Kilorias e colaboradora de Fitness da Revista LifeStyle Magazine do Grupo EVOL.
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Benefícios da atividade física para diabéticos

20 de setembro de 2012

A prática de exercícios físicos proporciona inúmeros benefícios para qualquer ser humano. Particularmente na diabetes, os exercícios possuem qualidades marcantes tanto na prevenção quanto no tratamento. Pacientes com diabetes freqüentemente têm múltiplos fatores de risco para doenças cardiovasculares. Por isto, um estilo de vida saudável, incluindo uma maior atividade física, é essencial para prevenir e controlar esta patologia.

É importante ressaltar que existe várias formas de se prescrever a atividade física ideal para o diabético sendo necessário, entretanto, que se conheçam os benefícios e os possíveis riscos relacionados a esta população, sendo feita a prescrição somente por um Profissional de Educação Física devidamente credenciado ao CREF.

Desde 1922 vários autores verificaram a interação da insulina com a atividade física e os benefícios no tratamento da diabetes. A partir de então a dieta, medicamentos (quando necessário) e exercício, fundamentados em um processo educacional, formam o princípio do tratamento desta doença.

Exercícios são a parte mais divertida da terapia do diabético. Pense na vida deste indivíduo em que é tem que “espetar” aquela agulhinha todos os dias, tomar pílulas e  mudar sua dieta, provavelmente suprimindo algumas das suas comidas favoritas. Compare isto com um igualmente importante para sua saúde jogo de tênis, ou uma noite dançante, um passeio de bicicleta, uma caminhada, ou uma refrescante natação. Absolutamente sem discussão, não acha? Toda e qualquer atividade física pode ser de grande valia para o diabético, sendo necessário sempre se levar em consideração o atual quadro de saúde em que o aluno se encontra.

A maioria dos efeitos diretos da atividade física ocorre porque o exercício normaliza a glicose sanguínea, diminuindo a resistência de insulina e melhorando a sensibilidade a ela. Vários estudos têm demonstrado que o treinamento pode aumentar a ação da insulina ou diminuir a resistência à insulina, especialmente entre pessoas com alto risco para diabetes ou com hiperinsulinemia. Outros estudos mostram que indivíduos fisicamente ativos têm menos probabilidade de desenvolver diabetes do que indivíduos fisicamente inativos. O efeito da atividade física parece ser devido à adaptação metabólica do músculo esquelético (aumento da densidade capilar; maior capacidade oxitativa), ou a outras adaptações ao treinamento como um conteúdo aumentado de transportadores de glicose GLUT4. Como conseqüência, a captação de glicose pelo músculo é incrementada, independentemente de alterações na concentração de insulina circulante.

Em adição à redução aguda da glicemia e ao aumento da sensibilidade à insulina, o exercício regular melhora vários dos fatores de risco reconhecidos de doenças cardiovasculares, como melhora do perfil lipídico (diminuição do LDL, aumento do HDL e diminuição do triglicérides) e da hipertensão, e indivíduos diabéticos têm um maior risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

A hipertensão está associada com um aumento da incidência e taxa de progressão de retinopatia diabética e neuropatia e, portanto, deve ser tratada de forma mais agressiva. É genericamente aconselhável que os pacientes que apresentem doenças microvasculares dos olhos e rins, já estabelecidas, não participem de exercícios que resultem em um aumento da pressão sistólica acima de 180 a 200 mmHg.

Os benefícios cardiovasculares e metabólicos do exercício são sustentados somente como resultado da soma dos efeitos das sessões de treinamento ou como resultado de mudanças, em longo prazo, na composição corporal e outro grande benefício da atividade física regular é seu efeito sobre a composição corporal, através do aumento do gasto de energia auxiliando a redução de peso, o aumento da perda de gordura e a preservação da massa magra. Aproximadamente 60% das pessoas com diabetes do tipo 2 são obesas no momento do diagnóstico.

Provavelmente a distribuição central de gordura parece ser fator de risco primário adicional para o desenvolvimento do diabetes tipo 2, uma vez que a adiposidade na área abdominal ao contrário da periférica eleva a probabilidade de que indivíduos desenvolvam resistência à insulina. A atividade física parece prevenir a diabetes tipo 2 não apenas diminuindo a adiposidade, mas também afetando a resistência à insulina e a tolerância à glicose.

O pesquisador Silveira Neto relata em sua obra sobre o constante estresse psicológico pelo qual os recém descobertos diabéticos passam e cita, até mesmo como experiência pessoal (o autor é diabético tipo 1 desde os quatorze anos), o quanto a atividade física pode ser benéfica para o controle desde tipo de estresse; estresse este que pode ter conseqüências bastante negativas para o controle glicêmico. Parece que o estresse psicossocial exerce um efeito direto psicossomático nos mecanismos reguladores neuroendócrinos, que por sua vez, influenciam o controle metabólico. A prática de atividades física promove benefícios fisiológicos e psicológicos, sendo o aspecto de lazer e entretenimento proporcionado pela prática de atividades físicas e esportivas, altamente desejável.

Segundo o mesmo autor, os parâmetros psicológicos passíveis de mudança com o exercício físico podem ser assim visualizados:

DIMENSÕES MUDANÇAS
Depressão Diminui
Bem-estar Aumenta
Atitude positiva em relação ao trabalho Aumenta
Autoconfiança Aumenta
Autoestima Aumenta

Se é diabético ou tem histórico familiar desta doença, procure orientação médica e de um profissional de educação física.

Contato: Juliana Matos

juliana.matos@fitnesstogether.com.br

Personal Trainer  e Coordenadora Técnica da academia Fitness Together Panamby

Pós Graduada em Biomecânica da Atividade Física e da Saúde e Certificada em Treinamento Funcional

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