Como sempre falamos que sua playlist pode melhorar o desempenho na corrida, saiu um novo estudo sobre “efeitos psicofísicos e ergogênicos da música” realizado pela Universidade de Brunel, em Londres.
A música tem qualidades específicas e motivacionais, que pode fazer com que você trabalhe mais e mais rápido, reduzindo, assim, a percepção de esforço. De acordo com o pesquisador deste estudo, que criou um treino personalizado com trilhas sonoras para vários atletas que competiram nos Jogos Olímpicos de Londres, a música tem a propensão de melhorar os aspectos positivos do humor, como vigorosidade e emoção, reduzindo aspectos negativos, como tensão e fadiga. Assim, também reduz a percepção de esforço e sugere que a batida da música possa aumentar a resistência.
Para você, corredor amador, que treina para longas corridas ou é um corredor casual, a playlist correta pode melhorar, e muito, seu desempenho. De acordo com as diretrizes deste estudo, para elaborar um mix musical, você precisa:
Escolher listas de músicas com batidas energizantes
Sincronizar seus passos com uma música animada pode, subconscientemente, aumentar o seu esforço durante um treino. Em um estudo realizado em 2009, descobriram que a adequação da música ao treino impulsionou significativamente a eficiência do exercício e a resistência do atleta. Para o estudo, os pesquisadores compararam 30 participantes que se exercitaram fora da esteira – alguns ouviram rock “pesado” e música pop, comparando com aqueles que se exercitaram sem música. Assim, mostraram que os voluntários que sincronizaram seu ritmo de treino ao da música, melhoraram a resistência em 15%.
Tocando músicas rítmicas também reduz o sua percepção de esforço, fazendo com que você pense que não está treinando tão pesado como você realmente treina. Músicas mais empolgadas e “otimistas” (que falam de superação) aumenta atividade cerebral (sistema de ativação reticular ascendente), para que “viaje” quando está correndo.
O estudo ainda comprova que a faixa de ritmo ideal é de 120 a 140 batimentos por minuto, produzindo melhores resultados psicológicos.
Vale lembrar que, de acordo com as batidas por minuto da sua música, você pode sincronizar com a freqüência cardíaca que pretende alcançar no treino. Um exemplo: para a sua freqüência chegar a 130 bpm, escolha uma música em que o ritmo aumente progressivamente.
Escolher músicas que já conhece
Há uma forte relação entre o treino e se você realmente gosta da música. Por isto, torna-se necessário escolher uma playlist que já conheça e que realmente goste.
Acrescente músicas que possa associar a momentos de conquistas, músicas de filmes que te dê boas recordações ou músicas de momentos especiais. A trilha sonora do filme “Carruagem de Fogo” foi utilizada nos Jogos Olímpicos de Londres. Assim, provavelmente, você fez uma associação da música e dos personagens heróicos, evocando imagens e pensamentos de superação do adversário e conquista de um objetivo. Então, você está condicionado a se sentir estimulado, inspirado e motivado.
Utilizar e atualizar a lista shuffle
A atualização da sua lista shuffle é imprescindível. Isto porque você se torna insensível a qualidade das canções motivacionais quando as ouve repetidamente. Por isto, MUDE a lista a casa semana ou a cada 15 dias, no máximo, para não virar costume.
Escolher manualmente a sua música para aumentar a motivação
A fim de fazer uma playlist excepcional, é necessário identificar faixas musicais que combine com seu treino/intensidade. A melhor forma para isto é ajustar as músicas manualmente (sem ser de forma aleatória). Você “manipula” sua faixa e a deixa de acordo com o ritmo do seu treino.
Prestar atenção nas letras
A letra da música é super importante, pois faz com que o praticante “carregue” com ele todo o contexto. Por exemplo, músicas com “I’m me” ou “Eu sou eu”, são músicas que se auto afirmam, sendo estimulantes. Dois grandes exemplos de músicas inspiradoras são ”Pump It”, de Black Eyed Peas ou “Lose Yourself” de Eminem.
Playlists sugeridas pelo estudo e utilizadas por atletas de meia-maratona e também por alguns atletas dos Jogos Olímpicos que fizeram parte do treino personalizado do estudo:
1ª playlist
- “Eye Of The Tiger” (109 BPM), Surivior
- “Don’t Stop Me Now” (154 BPM), Queen
- “Beat It” (139 BPM), Michael Jackson
- “I Like To Move It” (123 BPM), Reel 2 Real feat. The Mad Stuntman
- “Push It” (130 BPM), Salt-N-Pepa
2ª playlist
- Available,” The National
- “Don’t Save Us From the Flames,” M83
- “Ready to Start,” Arcade Fire
- “Dog Days Are Over,” Florence+the Machine
- “All of the Lights,” Kanye West
3ª playlist
- “40 Day Dream,” Edward Sharpe & The Magnetic Zeros
- “Celebration Day,” Led Zeppelin
- “Paper Planes ” M.I.A.
- “No Regrets,” Aesop Rock
- “I Can’t Turn You Loose,” Otis Redding
4ª playlist
- “Is Anybody Out There?” K’NAAN feat. Nelly Furtado
- “Lights,” Ellie Goulding
- “Wide Awake,” Katy Perry
- “Domino,” Jesse J
- “Payphone,” Maroon 5

Vale lembrar os conceitos enfatizados pelo estudo, como: escolher músicas que conhece, levar em consideração a intensidade do seu treino, etc. Não podemos também cair na empolgação da playlist e perder a noção dos limites do nosso corpo.
Fonte: Time